A Noiva de Gardel
Marta era uma moça muito bonita, de olhos azuis, pele alva e cabelos negros. Ela era uma grande fĂŁ do famoso cantor de tango argentino Carlos Gardel, um dos artistas mais famosos daquela Ă©poca. Pertencendo a uma famĂlia abastada, tinha todos os seus discos, que ouvia no gramofone, e colecionava suas fotos que saiam nas revistas. Em 1935, Carlos Gardel morreu tragicamente, num desastre de aviĂŁo, durante uma turnĂŞ. Ao saber da noticia, Marta caiu de cama, acometida por uma febre altĂssima. Por muitos dias os mĂ©dicos temeram por sua vida. Depois, um tanto recuperada da crise, recusava-se a comer e apenas chorava, chorava sem dizer o motivo. Seus pais a ignoravam, sem saber a causa do sofrimento de Marta. Para distraĂ-la, seus pais fizeram-na passar uns tempos na casa de uns parentes no Rio de Janeiro, de onde ela voltou um tanto melhor, mas nĂŁo era mais a mesma pessoa. Havia se tornado uma moça pensativa, recolhida e triste, que se vestia sempre de preto. EntĂŁo seus pais acharam que a cura de todos os males de sua filha estava no casamento. Afinal, Marta já estava com 23 anos. PorĂ©m, quando tentaram fazĂŞ-la ficar noiva de um rapaz de boa famĂlia, ela se recusou terminantemente e afirmou que preferia entrar num convento a se casar.
Assim se passaram mais alguns anos, sem grandes alterações no estado de Marta. Ela se vestia sempre de preto e só saia de casa para ir à missa numa igreja próxima.
Certa noite, por volta de 1942, Marta teve um sonho. Sonhou que estava sentada na sala de sua casa, e de repente sentiu uma presença na janela. Olhou e viu o cantor Carlos Gardel, do outro lado do vidro, com seu chapĂ©u tĂpico, sorrindo para ela. EntĂŁo Marta, de alguma forma atravessou a parede e se viu diante de seu grande amor. Gardel perguntou se ela queria ficar noiva dele. Marta respondeu que sim, que era o que mais queria, e acordou com a alma inundada de uma felicidade indescritĂvel. A partir desse sonho, ela passou por uma mudança admirável. Deixou de lado os vestidos pretos, usava cores claras e alegres, pintava os lábios de carmim, e usava tambĂ©m uma aliança na mĂŁo direita e era isso que todos achavam estranho, mas nĂŁo diziam nada. Marta dizia a todos que aquela aliança era para afastar possĂveis pretendentes, mas na verdade era porque ela tinha se tornado noiva do finado Carlos Gardel. E alĂ©m de tudo, ele a visitava a noite, e fazia amor com ela. Em 1950, Marta viajou para Buenos Aires, para ir ao CemitĂ©rio de La Chacarita, onde devia ser selada a uniĂŁo perpetua dos dois. Entrou no cemitĂ©rio como uma noiva, a cabeça coberta por uma mantilha e um buque de rosas nas mĂŁos. Ali, diante do tumulo de Gardel, ela passou a aliança para a mĂŁo esquerda, jurando-lhe eterna fidelidade e amor. O buquĂŞ ficou sobre o tumulo. Depois disso, Marta voltou para sua casa e viveu lá atĂ© sua morte, cerca de 30 anos depois. Antes de dar seu Ăşltimo suspiro, teria confidenciado a uma amiga, que sua morte era o dia mais feliz de minha vida. Foi enterrada com a aliança, pois estava de tal forma encravada na carne que nĂŁo foi possĂvel tirar. O mais intrigante dessa historia e que Marta sempre afirmou que ela e seu marido fantasma tinham uma vida sexual ativa e normal, como a de qualquer casal feliz.
Comentários
Postar um comentário